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DICAS EMOCIONAIS PARA LIDAR COM O CORONAVÍRUS

Psicóloga ensina a lidar com os impactos emocionais durante a pandemia



Após o surgimento do novo Coronavírus a nossa sociedade foi impactada em muitos aspectos. Com a declaração de calamidade pública em proporção mundial veio também a possibilidade de instabilidade emocional por parte da sociedade, uma estranheza em lidar com as informações que chegaram até nós de forma tão inesperada. Hoje somos conduzidos a construir novos hábitos em função da luta pela prevenção ao Covid-19 e também pela sobrevivência, mas... Como fica o nosso emocional diante desse impacto social? Como lidar com os possíveis medos e principalmente com toda uma expectativa em relação a algo até então desconhecido? Nesse momento surgem muitas questões e também uma demanda psicológica. Por isso queremos parabenizar uma equipe de psicólogos chamado LISTA PSI RJ e aproveitar a oportunidade para entrevistar a Psicóloga Clínica Ana Paula Santos Carneiro, uma das profissionais que compõem o grupo e o projeto de apoio psicológico que está sendo realizado através da internet, onde esses especialistas tiveram a iniciativa de se reunir e colocar o seu ofício a disposição para atender de forma gratuita as pessoas que estão sofrendo algum tipo de transtorno ou de ansiedade nesse momento de pandemia.
Segue abaixo a entrevista  que traz respostas e algumas orientações psicológicas que podem nos ajudar a lidar melhor com os impactos emocionais durante esta pandemia;

Perguntas:
1     1.    Como surgiu e como está evoluindo o projeto de atendimento psicológico?
O projeto LISTA PSI RJ já existe há 3 anos e consiste em uma newsletter de psicologia, ou seja, uma lista de telefones com 8.000 números cadastrados de psicólogos e estudantes de psicologia, que recebem newsletter diariamente. Com o surgimento da pandemia surgiu o interesse em ajudar a sociedade, então foi levantada a proposta para os psicólogos cadastrados na lista e a partir disso foi criado um grupo no whatsapp para todos os psicólogos que quisessem atender a demanda. Após isso foi criado um outro grupo onde as pessoas que necessitavam de atendimento deveriam entrar, o projeto é totalmente gratuito e já atendeu 270 demandas psicológicas.

2     2.    Nos dê algumas dicas de como lidar com os possíveis surtos (agressividade, nervosismo, falta de paciência, etc...) de pessoas próximas (amigos e /ou familiares).
Seja paciente e calmo, nesse tipo de situação o modo como você reage pode influenciar as pessoas. Quando você consegue manter o controle sobre as próprias emoções as pessoas tendem a se sentir mais seguras e em um ambiente acolhedor, ajude-as a expressarem de forma positiva seus medos e ansiedades, apenas ouça, não é necessário tentar acalmá-la dizendo como é fácil fazer isso, naquele momento ela só precisa ser ouvida. Ajude-a a entender os motivos do surto e a possibilidade de encontrar apoio social, converse sobre formas de solucionar o problema, procure incentivá-la a encontrar as próprias soluções, ser capaz de gerenciar alguns problemas dará à pessoa maior senso de controle da situação e fortalecerá suas próprias habilidades para lidar com esses problemas. Ajude-a a controlar o estresse, buscando identificar maneiras de relaxar, como por exemplo ouvir música, praticar alguma atividade física etc. Algumas técnicas de respiração podem ajudar a controlar o estresse, pois quando estamos estressados, a respiração se torna rápida e superficial, o que aumenta a tensão, uma dica é:
Oriente-a a relaxar o corpo, balançar e relaxar braços e pernas, levando os ombros para trás, girando a cabeça suavemente de um lado para o outro. Incentive a pessoa a se concentrar na própria respiração e a respirar vagarosamente.
Em algumas situações você pode encaminhar a pessoa a um profissional de saúde, como por exemplo um psicólogo, que ensinará essas técnicas, porém é muito importante que ela esteja de acordo.

3     3.    Como identificar e prevenir a crise de ansiedade?
A ansiedade é uma reação natural do nosso corpo, é uma expectativa apreensiva com relação ao que está por vir, ela pode ser positiva quando nos impulsiona a agir, mas se torna um problema quando os sintomas são frequentes e intensos. De acordo com o Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais - DSM, em sua 5ª edição, os quadros de ansiedade incluem transtornos que compartilham características de medo e ansiedade excessivos e perturbações comportamentais relacionados. Os sintomas se manifestam de três formas: por meio de pensamentos, reações físicas e/ou sentimentos.
As reações emocionais incluem: Medo, vergonha, nervosismo, tensão, tristeza, perder a esperança, evitar lugares/pessoas. Já as reações físicas podem incluir: Falta de ar, coração acelerado, tremores, ânsia de vomito, diarreia, alterações do sono, suor excessivo, sensação de desmaio, dor de cabeça, tensão muscular.
Como forma de prevenir a crise de ansiedade, limite a quantidade de tempo que você gasta lendo conteúdo assustador nas redes sociais. Tenha cuidado com o que você lê. Tente aproveitar esse momento para desacelerar e manter uma rotina de atividades prazerosas, realize atividades diárias como limpeza, canto, pinturas e outras, além de manter o sono regular e uma dieta balanceada. Em casa, criem juntos regras de convivência, busquem manter a rotina, determine horários, funções, busquem cooperar uns com os outros, aproveitem para se reconectar.
Quando sentir medo, converse sobre isso, não desvalide, nem ignore as suas emoções, sinta-as e reconheça, porém não foque nelas, mude o pensamento, mude de atividade, faça atividade física diariamente e pratique meditação.

4    4.    Os impactos sociais (isolamento, não poder beijar e abraçar, etc...) podem nos fragilizar? Como driblar essas fragilidades?
Sim, somos seres sociais e nosso desenvolvimento psíquico é mediado pela    relação com o outro.
Sabe-se que pessoas que sentiram ter tido bom apoio social após uma crise lidam melhor com a situação do que outras que não tiveram. A atenção ao apoio social é essencial, fortalecer esse apoio é um componente essencial da proteção e do bem-estar geral. Assim, dê prioridade a comunicação, mantenha sua rede de amigos e conhecidos, você pode manter a proximidade digital por e-mails, redes sociais, telefone, teleconferências etc., ainda que isolado tente ao máximo manter sua rotina e crie novas.

5     5.    Como nos fortalecer emocionalmente diante da pandemia?
É importante prestar atenção redobrada ao seu próprio bem-estar e ter certeza de que você esteja em boas condições físicas e emocionais. Avalie a melhor maneira de se preparar para uma situação de crise. Sempre que possível, informe-se sobre a situação de crise, bem como os papéis e responsabilidade das diferentes pessoas que estão oferecendo ajuda, avalie sua própria saúde, problemas pessoais e familiares que podem lhe causar estresse grave.
Algumas dicas podem ser úteis, como pensar no que o ajudou a lidar com os seus problemas no passado e o que você pode fazer para se fortalecer agora, tente reservar tempo para comer, descansar e relaxar, tente manter uma carga horária de trabalho razoável para não ficar muito esgotado. É muito importante que você tenha em mente que não é responsável por resolver todos os problemas das pessoas, faça o que você puder para ajudar as pessoas a ajudarem a si mesmas, procure saber como estão seus colegas, ofereça apoio e permita que façam o mesmo com você, encontrem maneiras de se apoiarem, converse com amigos, entes queridos ou outras pessoas que você confie para apoiá-lo. Além disso reduza o consumo de álcool, cafeína e nicotina e evite utilizar medicamentos sem prescrição médica, tenha tempo de qualidade para reforçar e fortalecer sua fé (Leitura e oração). Se você perceber que está com pensamentos negativos, se estiver se sentindo muito nervoso ou extremamente triste, se estiver tendo problemas para dormir ou se estiver bebendo muito álcool e usando drogas, é importante que receba apoio de alguém que você confie. Converse com um profissional de saúde ou, se possível, fale com um especialista em saúde mental se essas dificuldades persistirem.

6     6.    Como orientar crianças e idosos com crise de ansiedade?
Dê informações sobre o que está acontecendo, de maneira honesta e apropriada de acordo com a idade e como eles podem reduzir o risco de contágio, não saber o que está acontecendo pode causar mais ansiedade e possibilitar que fantasiem algo pior do que é na realidade, saber o que eles podem fazer dará a eles mais segurança e autonomia sobre o que fazer para se prevenir;
Ajude-os a expressar suas apreensões de forma positiva, as pessoas geralmente se sentem aliviadas quando conseguem se expressar e se comunicar num ambiente seguro, cada um tem seu próprio jeito de expressar suas emoções, apenas ouça e respeite;
As pessoas idosas podem se sentir sozinhas, e aquelas que possuem algum comprometimento cognitivo ou quadro de demência, podem tornar-se mais ansiosas, agitadas, estressadas e agressivas, assim, os familiares e cuidadores devem oferecer apoio emocional, ou ainda por meio de redes familiares ou de agentes de saúde.
Mantenha a calma e fique relaxado, as crianças aprendem a lidar com o momento de crise observando a reação dos adultos;
Mantenha a casa aberta e arejada, se tiver quintal ou terraço, incentive as crianças a fazerem atividades físicas com bolas e corridas. Algumas atividades podem contribuir de modo positivo, como o faz de conta, pintura e desenho;
Mantenha ou crie uma rotina. O mais importante é separar um tempo para aprendizado, para brincar e para relaxar. Caso a escola de sua criança não tenha disponibilizado materiais de estudo, pesquise atividades simples e educativas que podem ser feitas em casa;
Realize atividades lúdicas sobre prevenção, como jogos para lavar as mãos seguindo o ritmo de alguma música, criar histórias sobre o vírus, afastando a ideia de terror em torno dele, transforme a limpeza da casa em um jogo divertido, desenhe ou imprima desenhos de vírus para que a criança possa pintar;
Não deixe de se comunicar com amigos e familiares, permita que as crianças e os idosos continuem tendo contato, através de ligações ou vídeo-chamadas, isso diminui a ideia de afastamento e solidão.

7     7.    Existe algum calmante natural ou atividade relaxante indicada no caso de crise?
Técnicas de respiração e meditação podem contribuir para que as pessoas sintam tranquilidade mental e corporal, fazer contato com o ambiente atual e consigo mesmo são essenciais em momentos de crise.

8     8.    Os novos hábitos sociais podem atrapalhar a pessoa que já sofre de ansiedade?
Situações como a que estamos vivenciando tendem a gerar um impacto traumático na sociedade de um modo geral, pessoas que já sofrem com a ansiedade podem apresentar uma evolução negativa em seus quadros, além disso também podem desenvolver novos quadros de transtornos emocionais.
Experiências anteriores em situações de crises humanitárias nos trazem a perspectiva de que quando a crise passa, os eventos pós traumáticos aparecem e com eles as doenças psicológicas, dentre elas estão a ansiedade, o pânico, a depressão e o transtorno de estresse pós traumático. Lidar com morte em massa, não velar os entes queridos, perder a base segura financeira e emocional, causam um impacto muito negativo, é preciso que estejamos atentos e que sejam priorizadas ações que garantam maior segurança e estabilidade emocional.

9     9.    Como manter os laços afetivos de forma saudável no momento de pandemia?
Dê prioridade a comunicação, expresse seus sentimentos, fale de suas emoções, de como se sente, se aproxime emocionalmente das pessoas, ainda que não possam estar próximos fisicamente, ofereça ajuda, ouça o que as outras pessoas tem a dizer, busque manter o controle emocional e clareza sobre seus sentimentos e emoções, cultive a afetividade (elogie, agradeça, reafirme o valor do outro e toque mais as pessoas de sua casa, pois o toque promove alterações neurológicas com impacto no desenvolvimento psicológico, além de desbloquear sentimentos negativos, importante lembrar que o contato virtual é uma forma de contato), tenha em mente que quanto mais unidos, mais fortalecidos estaremos.

1    10.   Enquanto psicóloga, como você vê as relações humanas a partir do momento de pandemia? E como podemos fazer para recuperar os impactos emocionais e sociais após a pandemia?
É difícil prever quais as mudanças comportamentais que a atual pandemia pode provocar, ainda não sabemos das proporções que essa situação pode tomar, porém algumas mudanças já adotadas, como o distanciamento social podem ter efeitos futuros, tornando os relacionamentos mais distantes a longo prazo.
As pessoas afetadas por situações de emergências podem apresentar um considerável e variado conjunto de problemas mentais, neurológicos e por uso de substâncias, o luto e o sofrimento agudo afetam a maioria das pessoas e são considerados respostas psicológicas transitórias e naturais à adversidade, em decorrência dessas experiências algumas pessoas podem desencadear problemas de saúde mental que podem prejudicar o funcionamento diário, assim há um aumento considerável das necessidades de saúde mental da população, nesse cenário é necessário dispor de ferramentas práticas, como focar no presente, na reorganização dos projetos, trabalhar em busca de uma ressignificação, que diz respeito a dar um novo significado as experiências. A psicologia desempenha um importante papel diante dessas situações, tanto no que diz respeito a sensibilização na direção de atitudes mais saudáveis, quanto no desenvolvimento de ações que visem amenizar o sofrimento emocional, contribuindo para o bem-estar psicossocial durante e após a pandemia.
Tem uma frase da qual gosto muito e acredito que seja extremamente importante nesse momento: “a felicidade não é algo fácil: é dificílimo encontrá-la em nós e impossível encontrá-la em outro lugar.” (Chamfort)
Ana Paula Santos Carneiro, Psicóloga Clínica – CRP 04/39768

Encerramos a entrevista com uma observação importante:
Se você que é nosso leitor, estiver precisando de atendimento psicológico ou conhece alguém que esteja apresentando a necessidade de atendimento psicológico por conta de pânico, ansiedade, ou qualquer outro comportamento de estresse gerados a partir dos reflexos da pandemia, entrem em contato seguindo o Instagram @psiriodejaneirorj ou acessando este link https://chat.whatsapp.com/DO06cZPbcj6IgdES7RTYMm e aguarde o seu atendimento.
De maneira alguma tenha vergonha de pedir e solicitar ajuda, entenda que reconhecer a sua necessidade de ajuda e orientar um amigo que também precise de ajuda é um gesto nobre e consciente da sua parte.

   
Texto e matéria por Lorena Crist
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